Para aqueles que possam ter perdido a apresentação de Sofia Brito sobre a Sinfonia Fantástica de Berlioz, fica aqui o suporte em PP (estes slides contém mais texto, para suprir a falta da apresentadora!).
Infelizmente, as ligações aos excertos não funcionam sem o CD, mas quem quiser ouvir não terá problema...Gravações desta obra não faltam!
(traduzido e adaptado do comentário no próprio site):
Susan McClary, professora de Musicologia na Universidade da Califórnia, Los Angeles, aborda a história da improvisação na música ocidental. O vídeo fala da transição para um paradigma que marca a mudança desde um modelo em que a música era 'composta', essencialmente, a partir de um sistema bastante aberto de notação simplificada, nos séculos 17 e anteriores, para um modelo mais estático, baseado num sistema de notação muito mais pormenorizado na era clássica e seguintes. Essa mudança de paradigma coincide também com o surgimento de um canon de obras, ou "repertório", noção inexistente nas décadas anteriores ao fim do século XVIII.
London Masterclasses. Direcção de orquestra, com Benjamin Zander
“You don’t cry in time”, são as palavras de Benjamim Zander para falar de rubato.
Começarei por dizer que não sou grande fã de masterclasses. Já tive experiências muito gratificantes, das quais consegui extrair maneiras novas de olhar sobre a música. Mas essas situações foram poucas, comparativamente com as muitas em que a masterclass apenas servia como um culto a personalidade do master, por vezes com resultados pedagógicos pobres, ou mesmo desastrosos para a estabilidade emocional dos alunos!
Este vídeo ilustra excelentemente as masterclasses que têm também o poder de insuflar paixão e inteligência nas pessoas. Zander tem a capacidade de transcender a música, de conectar cada som com a experiência humana, de comunicar essa experiência de forma que pode ser, ao mesmo tempo, acessível mesmo para leigos, e significativo para os profissionais.
Mas o que mais me emociona em Zander e a sua forma de comunicar e chegar ao núcleo das pessoas com quem trabalha, o para as que fala. A sua masterclass é muito mais do que uma reunião de especialistas á procura de um conhecimento superior; é, na minha opinião, uma afirmação da capacidade humana para compreender, para transcender, para projectar e para partilhar a beleza.
Estonian Philharmonic Chamber Choir & The Tallinn Chamber Orchestra
Dirigidos por Tsnu Kaljuste
Aaron Copland (1900-1990) é o mais conhecido e apreciado por algumas composições extremamente populares, que escreveu no período 1936-49, como por exemplo Appalachian Spring, Billy the Kid e Rodeo. Ele foi um dos primeiros a captar a essência da vida americana em som. Juntamente com Gershwin, Bernstein e Ives, criou a música que reflecte o mundo em que vivia.
Este documentário analisa a forma como um cidadão de Nova Yorke, russo de origem judaica, chegou a escrever uma música contagiante e acessível, que estabeleceu uma "voz" própria para a música americana.
O filme relata facetas da sua vida e carreira, utilizando filmes de arquivo e outras filmagens especiais para recordar a infância de Colpland no Brooklyn, a sua viagem a Paris entre 1921-24, onde continuou os seus estudos musicais com Nadia Boulanger, onde foi absorvido pelo ambiente de avantgarde daquelemeio cultural. Stravinsky foi também uma influência marcante no seu trabalho. No seu retorno aos Estados Unidos, demonstrou uma determinação enérgica para criar um "som" americano, que fosse capaz de expressar o optimismo e estilo directo da vida no Novo Mundo, com a sua mistura multi-racial.
O filme evoca também a vida de Copland em Nova York, como jovem e ainda obscuro compositor, numa época em que viveu com simplicidade, e trabalhou com grande disciplina, absorvendo as linguagens do jazz e do ragtime. Finalmente, chega ao seu ano de sucesso, que lhe trouxe um grau de popularidade raramente alcançado por um compositor contemporâneo clássico.
O documentário inclui excertos de entrevistas com Copland, com seu biógrafo, Howard Pollack, e com o maestro americano Hugh Wolff, um expoente da sua música. Wolff também dirige a Frankfurt Radio Symphony Orchestra em passagens de algumas das mais famosas obras do compositor, incluindo Fanfare for a Simple Man, Symphony No. 3, 12 Poems by Emily Dickinson (com a mezzo soprano Stella Doufexis), El Salon México, etc.. Aparece um excerto de um vídeo de Benny Goodman, a tocar o Concerto para Clarinete por ele encomendado ao compositor, bem como imagens de Leonard Bernstein dirigindo o Lincoln Portrait para orador e orquestra, e dança de Martha Graham para Appalachian Spring.
Este documentário sobre a peculiar vida e música do compositor russo Alexander Scriabin(1872-1915) ilumina a compreensão da sua obra e das ideias misticas que foram a sua inspiração.
(Não se esqueçam de expandir a janela para ecrã inteiro).
“It is always the same with me; only when I experience something do I compose, and only when composing do I experience! After all, a musician's nature can hardly be expressed in words.”—Gustav Mahler
Regresso ao site do Carnegie Hall para referir uma série de páginas que se debruçam sobre diversas obras ou grupos de obras. A que quero apresentar hoje oferece uma visão geral, muito interessante e informativa, sobre o ciclo monumental das 10 sinfonias de Mahler.
Esta página contém uma visão de conjunto, desde a qual podem ser obtidas mais informações sobre cada sinfonia. O texto contem oportunas referências sonoras que podem ser apreciadas sem abandonar a página.
Espero que este sitepossa servir como mais um exemplo das formas criativas em que podemos articular um discurso ameno e informativo à volta do repertório.
Em 1827, Hector Berlioz escreveu uma sinfonia "fantástica", criada com um tema especial, uma ideia fixa, que representava o objecto do seu desejo, a actriz Harriet Smithson. Segue nesta apresentação a expressão as vezes romántica, as vezes grotesca do tema de Harriet e conhece a circunstâncias que levaram à construcção de esta delirante obra da fantasia.
A sinfonia Holidays, de Charles Ives, é visitada nesta fabulosa producção multimédia liderado por Michael Tilson-Thomas, com a S. Francisco Shymphony.
Para além de conhecer ou relembrar esta maravilhosa e evocativa música, esta apresentação é deixada aqui como um exemplo de exploração e elaboração significativa de um discurso à volta de uma peça de repertório. Aprendamos todos dela!
“What is most striking … is the contrast between the ‘homely’ program attached to the piece and the incredibly complex means for achieving it.”
(Aaron Copland writing about Ives’s Holidays Symphony)
Um ponto de reunião para os alunos da UC "Repertório I e II" pertencente ao Mestrado em Interpretação da ESMAE. E claro, muito mais do que isso. Para todos os curiosos sobre a música.