Deixo o suporte gráfico que Fernando Rodrigues utilizou para a sua sessão sobre a transição entre o Bebop e o jazz modal. Se desejam o material de audio e video, é só pedir (joseparra@esma-ipp.pt)
Patrícia Costa apresentou uma sessão sobre esta interessante peça a solo, de Karl Heinz Stockhausen, In Freundschaft
Em destaque podem apreciar uma interpretação para clarinete (numa versão diferente à utilizada na sessão) enquanto visualizam o suporte digital da apresentação da Patrícia.
Esta é a primeira parte de uma série dedicada à compreensão dos elementos básicos da música. A conferencista e pianista Orli Shaham fala e ilustra os fundamentos da melodia. A apresentação integra a audição de cinco duos para violino de Bela Bartok, interpretados por Arnaud Sussmann e Harumi Rhodes.
Para iniciar a actividade no blog para este ano acadêmico, queria mostrar aqui uma das pessoas que mais aprecio como comunicador e apresentador de música.
Bruce Adolphe, compositor, poeta, educador e divulgador, ligado ao Lincoln Center de New York é alguém que provavelmente aprenderão a apreciar.
(traduzido e adaptado do comentário no próprio site):
Susan McClary, professora de Musicologia na Universidade da Califórnia, Los Angeles, aborda a história da improvisação na música ocidental. O vídeo fala da transição para um paradigma que marca a mudança desde um modelo em que a música era 'composta', essencialmente, a partir de um sistema bastante aberto de notação simplificada, nos séculos 17 e anteriores, para um modelo mais estático, baseado num sistema de notação muito mais pormenorizado na era clássica e seguintes. Essa mudança de paradigma coincide também com o surgimento de um canon de obras, ou "repertório", noção inexistente nas décadas anteriores ao fim do século XVIII.
Estonian Philharmonic Chamber Choir & The Tallinn Chamber Orchestra
Dirigidos por Tsnu Kaljuste
Aaron Copland (1900-1990) é o mais conhecido e apreciado por algumas composições extremamente populares, que escreveu no período 1936-49, como por exemplo Appalachian Spring, Billy the Kid e Rodeo. Ele foi um dos primeiros a captar a essência da vida americana em som. Juntamente com Gershwin, Bernstein e Ives, criou a música que reflecte o mundo em que vivia.
Este documentário analisa a forma como um cidadão de Nova Yorke, russo de origem judaica, chegou a escrever uma música contagiante e acessível, que estabeleceu uma "voz" própria para a música americana.
O filme relata facetas da sua vida e carreira, utilizando filmes de arquivo e outras filmagens especiais para recordar a infância de Colpland no Brooklyn, a sua viagem a Paris entre 1921-24, onde continuou os seus estudos musicais com Nadia Boulanger, onde foi absorvido pelo ambiente de avantgarde daquelemeio cultural. Stravinsky foi também uma influência marcante no seu trabalho. No seu retorno aos Estados Unidos, demonstrou uma determinação enérgica para criar um "som" americano, que fosse capaz de expressar o optimismo e estilo directo da vida no Novo Mundo, com a sua mistura multi-racial.
O filme evoca também a vida de Copland em Nova York, como jovem e ainda obscuro compositor, numa época em que viveu com simplicidade, e trabalhou com grande disciplina, absorvendo as linguagens do jazz e do ragtime. Finalmente, chega ao seu ano de sucesso, que lhe trouxe um grau de popularidade raramente alcançado por um compositor contemporâneo clássico.
O documentário inclui excertos de entrevistas com Copland, com seu biógrafo, Howard Pollack, e com o maestro americano Hugh Wolff, um expoente da sua música. Wolff também dirige a Frankfurt Radio Symphony Orchestra em passagens de algumas das mais famosas obras do compositor, incluindo Fanfare for a Simple Man, Symphony No. 3, 12 Poems by Emily Dickinson (com a mezzo soprano Stella Doufexis), El Salon México, etc.. Aparece um excerto de um vídeo de Benny Goodman, a tocar o Concerto para Clarinete por ele encomendado ao compositor, bem como imagens de Leonard Bernstein dirigindo o Lincoln Portrait para orador e orquestra, e dança de Martha Graham para Appalachian Spring.
Este documentário sobre a peculiar vida e música do compositor russo Alexander Scriabin(1872-1915) ilumina a compreensão da sua obra e das ideias misticas que foram a sua inspiração.
(Não se esqueçam de expandir a janela para ecrã inteiro).
Aproveito esta mensagem para deixar a apresentação de slides do Luís Duarte, sobre esta peça de Debussy. Podem ouvir novamente a música e ler a partitura neste post publicado no dia 28/10/09.
Uma das sessões da próxima 6ª feira, dia 20 de Novembro, terá como objecto as Três Miniaturas para tuba e piano, do compositor norte-americano Anthony Plog.
Como sempre, deixo aqui a partitura e uma versão em vídeo da peça, para criar uma familiaridade com a música antes da apresentação.
Nota: como verão, na partitura estão desactivadas as funções de download e de impressão, por estar a música ainda sob direitos de autor. Enquanto ao vídeo, não será a versão ideal, particularmente no que toca à qualidade do som, mas será suficiente, espero, para formar uma ideia da música.
Uma próxima apresentação no dia 20 de Novembro, irá introduzir alguma informação sobre a tradição jazzistica, nomeadamente o conceito de "canon" ou repertório dentro de uma actividade que é caracterizada pela transformação do material de origem através da prática da improvisação. Que define um standard? Existe tradição notacional? Que parâmetros musicais são transmitidos pela notação abreviada ou leadsheet? Quais são as estratégias de preparação dos músicos de jazz para o palco?
A apresentação de Paulo Gomes usará como foco e exemplo a maravilhosa I loves you Porgy de G. Gershwin, da ópera Porgy & Bess, obra que bem representa a confluência de estilos e tradições musicais - falo do jazz e a chamada "música clássica" - aparentemente separados por um abismo cultural, e no entanto, tão próximos nas suas fontes e matérias primas (o som, os acordes tríades, a tonalidade, a forma, etc.)
Deixo aqui dois vídeos que têm I loves you Porgy como ponto de partida.
Para abrir o apetite, e tirado de um concerto em directo de Keith Jarrett, o primeiro vídeo mostra, na minha opinião, a capacidade imensa de reelaboração deste músico extraordinário. A reharmonização surpreendente, que ilumina cantinhos da canção que julgávamos conhecer bem; o tratamento contrapuntístico, que nos leva a um mundo distante da canção original, e no entanto surge organica e naturalmente dela; a forma ingénua como ele usa a melodia da parte central como introdução...
(sim, já sei que a experiência de alguns ficará estragada pelas caretas e contorsões corporais de Jarrett; eu tento ouvir e não olhar muito para ele!)
O segundo, tirado do site de Dough Mackenzie, ilustra com ajuda da notação automática e a análise "em tempo real", a música que se va ouvindo.
Olivier Messiaen é uma das figuras mais influentes na música do século XX. Embora a sua música não fosse bem recebida nos seus começos, acabou por ganhar o respeito internacional e conseguiu impor uma linguagem musical vincadamente pessoal, emocional e impregnada por uma religiosidade profunda. Esta linguagem é alimentada por diversas fontes , com um interesse na natureza que resulta evidente nos Oiseaux exotiques e no Catalogue d'Oiseaux. Paralelamente, desenvolveu uma forma de serialismo que foi diversamente interpretada. Le merle noir, para flauta e piano, foi escrita em 1951 como um morceau de concours para o Conservatório de Paris. A sua inspiração deriva do canto dos pássaros.
Uma próxima apresentação terá como objecto esta emblemática peça do repertório de flauta e piano. Proponho uma audição/leitura para aproveitarmos melhor a sessão (notem que a peça começa no minuto 0'44").
O primeiro volume dos Préludes foi composto apenas em dois meses (entre o início de Dezembro de 1909 e início de Fevereiro de 1910).
Feux d'artifice, o prelúdio com que Debussy conclui os seus dois volumes de Prelúdios, é notável, não tanto pelas suas inovações e efeitos de pirotecnia, como pelo carácter visionário e a sua antecipação dos estilos de composição do futuro. Feux d'artificepode ser descrito como uma composição totalmente atonal, porque a sua estrutura harmónica carece de qualquer ponto de referência tonal coerente. A impressão de novidade é ainda reforçada pelo carácter fragmentado de sua forma e material temático.
Apresento neste vídeo uma breve análise e performance de Feux d'artifice. Podem visualizar paralelamente a partitura (é preciso descer até a página 66 do Cahier II completo).
Este vídeo foi realizado com a técnica de animação stop motion (que trabalheira!). A música é de Aaron Copland, do Ballet Rodeo (1942). A autora é Eleanor Stewart e este é o seu projecto final na Glasgow School of Art.
A New York Philarmonicdisponibilizaonline alguns interessantes capítulos temáticos, que servem como preparação para a audição viva das peças programadas nos seus concertos.
Destaco aqui uma panorâmica multimédia sobre Luciano Berio, LB's Musical Odyssey, que junta excertos da sua música, vídeo, informação biográfica, comentários sobre as peças, entrevistas com os músicos da orquestra, etc.
“I thinkit is clear to everyonewhathappensintheFifth. Therejoicing is forced, createdunderthreat… It’s as ifsomeonewerebeatingyouwith a stickandsaying, ‘Yourbusiness is rejoicing, yourbusiness is rejoicing…”
— palavras atribuídas a Shostakovich muitos anos depois de ter escrito a sua 5ª sinfonia
Rússia, 1937: no momento mais dramático do poder stalinista, o Partido Comunista denunciou as obras mais recentes de DmitriShostakovich. Temendo pela vida, o jovem compositor escreveu uma sinfonia que terminava com uma marcha vibrante. Para muitos, este final soou falso, oco. Ainda hoje, é questão de debate aquilo que Shostakovich queria dizer. A sinfonia foi criada para celebrar o regime de Stalin? Será que ela contem mensagens escondidas protestando contra o próprio sistema que parecia apoiar? (traduzido livremente do site KeepingScore)
Mais uma apresentação do excelente programa KeepingScore, patrocinado e apresentado pelo Michael Tilson Thomas e a Orquestra Sinfónica de S. Francisco.
“It is always the same with me; only when I experience something do I compose, and only when composing do I experience! After all, a musician's nature can hardly be expressed in words.”—Gustav Mahler
Regresso ao site do Carnegie Hall para referir uma série de páginas que se debruçam sobre diversas obras ou grupos de obras. A que quero apresentar hoje oferece uma visão geral, muito interessante e informativa, sobre o ciclo monumental das 10 sinfonias de Mahler.
Esta página contém uma visão de conjunto, desde a qual podem ser obtidas mais informações sobre cada sinfonia. O texto contem oportunas referências sonoras que podem ser apreciadas sem abandonar a página.
Espero que este sitepossa servir como mais um exemplo das formas criativas em que podemos articular um discurso ameno e informativo à volta do repertório.
Este é, na minha opinião, um exemplo excelente de criatividade "expandida". Ouvimos a deliciosa e já "clássica" peça de Gershwin, mas desta vez (e)levada a um novo patamar de elaboração e criação. Marcus Roberts, fabuloso pianista, talvez mais conhecido pela sua extensa colaboração com Winton Marsalis, actua aqui como solista inspirado que expande a partitura original de Gerswhin, devolvendo-a directamente à fonte onde ela foi originada: o jazz e a improvisação.
Um ponto de reunião para os alunos da UC "Repertório I e II" pertencente ao Mestrado em Interpretação da ESMAE. E claro, muito mais do que isso. Para todos os curiosos sobre a música.