03/03/10

Do Improviso ao Repertório

(traduzido e adaptado do comentário no próprio site):


Susan McClary, professora de Musicologia na Universidade da Califórnia, Los Angeles, aborda a história da improvisação na música ocidental. O vídeo fala da transição para um paradigma que marca a mudança desde um modelo em que a música era 'composta', essencialmente, a partir de um sistema bastante aberto de notação simplificada, nos séculos 17 e anteriores, para um modelo mais estático, baseado num sistema de notação muito mais pormenorizado na era clássica e seguintes. Essa mudança de paradigma coincide também com o surgimento de um canon de obras, ou "repertório", noção inexistente nas décadas anteriores ao fim do século XVIII.


22/02/10

Benjamin Zander: "You don't cry in time"

London Masterclasses. Direcção de orquestra, com Benjamin Zander

“You don’t cry in time”, são as palavras de Benjamim Zander para falar de rubato

Começarei por dizer que não sou grande fã de masterclasses. Já tive experiências muito gratificantes, das quais consegui extrair maneiras novas de olhar sobre a música. Mas essas situações foram poucas, comparativamente com as muitas em que a masterclass apenas servia como um culto a personalidade do master, por vezes com resultados pedagógicos pobres, ou mesmo desastrosos para a estabilidade emocional dos alunos!

Este vídeo ilustra excelentemente as masterclasses que têm também o poder de insuflar paixão e inteligência nas pessoas. Zander tem a capacidade de transcender a música, de conectar cada som com a experiência humana, de comunicar essa experiência de forma que pode ser, ao mesmo tempo, acessível mesmo para leigos, e significativo para os profissionais.

Mas o que mais me emociona em Zander e a sua forma de comunicar e chegar ao núcleo das pessoas com quem trabalha, o para as que fala. A sua masterclass é muito mais do que uma reunião de especialistas á procura de um conhecimento superior; é, na minha opinião, uma afirmação da capacidade humana para compreender, para transcender, para projectar e para partilhar a beleza.

Tentem não perder.

Aaron Copland

(Adaptado das notas ao programa)

Aaron Copland, Fanfare for America

Estonian Philharmonic Chamber Choir & The Tallinn Chamber Orchestra

Dirigidos por Tsnu Kaljuste

Aaron Copland (1900-1990) é o mais conhecido e apreciado por algumas composições extremamente populares, que escreveu no período 1936-49, como por exemplo Appalachian Spring, Billy the Kid e Rodeo. Ele foi um dos primeiros a captar a essência da vida americana em som. Juntamente com Gershwin, Bernstein e Ives,  criou a música que reflecte o mundo em que vivia.

Este documentário analisa a forma como um cidadão de Nova Yorke, russo de origem judaica, chegou a escrever uma música contagiante e acessível, que estabeleceu uma "voz" própria para a música americana.

O filme relata facetas da sua vida e carreira, utilizando filmes de arquivo e outras filmagens especiais para recordar a infância de Colpland no Brooklyn, a sua viagem a Paris entre 1921-24, onde continuou os seus estudos musicais com Nadia Boulanger, onde foi absorvido pelo ambiente de avantgarde daquele meio cultural. Stravinsky foi também uma influência marcante no seu trabalho. No seu retorno aos Estados Unidos, demonstrou uma determinação enérgica para criar um "som" americano, que fosse capaz de expressar o optimismo e estilo directo da vida no Novo Mundo, com a sua mistura multi-racial.

O filme evoca também a vida de Copland em Nova York, como jovem e ainda obscuro compositor, numa época em que viveu com simplicidade, e trabalhou com grande disciplina, absorvendo as linguagens do jazz e do ragtime. Finalmente, chega ao seu ano de sucesso, que lhe trouxe um grau de popularidade raramente alcançado por um compositor contemporâneo clássico.

O documentário inclui excertos de entrevistas com Copland, com seu biógrafo, Howard Pollack, e com o maestro americano Hugh Wolff, um expoente da sua música. Wolff também dirige a Frankfurt Radio Symphony Orchestra em passagens de algumas das mais famosas obras do compositor, incluindo Fanfare for a Simple Man, Symphony No. 3, 12 Poems by Emily Dickinson (com a mezzo soprano Stella Doufexis), El Salon México, etc.. Aparece um excerto de um vídeo de Benny Goodman, a tocar o Concerto para Clarinete por ele encomendado ao compositor, bem como imagens de Leonard Bernstein dirigindo o  Lincoln Portrait para orador e orquestra, e dança de Martha Graham para Appalachian Spring.






Gonzalo Rubalcaba




(adaptado das notas ao programa, classical tv)


O pianista cubano Gonzalo Rubalcaba teve uma recepção muito calorosa no Munich Klaviersommer.

Junto a ele estiveram Reinaldo Melian (trompete), Philipe Cabrera (contrabaixo) e Julio Barretto (percussão). A contagiante  vitalidade da sua música, com a sua surpreendente mistura de ritmos, atmosferas e sons, suscitaram estas palavras de Werner Burkhardt, no Süddeutsche Zeitung: "Mesmo quando Rubalcaba toca baixinho, tens que ouvi-lo. Mas quando 'abre a caixa', ele faz acordar em nós a mais desavergonhada urgência de vivir a vida até não poder regressar".

Esta gravação em vivo, que inclui vários temas de Rubalcaba,  Charlie Parker e Miles Davis, captura a atmosfera electrizante que o grupo gerou.

18/02/10

Próximas apresentações: 5 de Março


Olá a todos! Queria anunciar as próximas intervenções dos colegas na classe de Repertório II, no próximo dia 5 de Março. 


Luís Duarte - "Três Epitáfios", para piano, de Fernando Lopes-Graça

Filipe Fonseca - "The Garden of Love" (Jacob ter Veldhuis) para saxofone soprano e  gravação.





Marline Apolinário - Jorge Peixinho "A flor das Águas Verdes".
Podem descarregar o ficheiro áudio aqui


Partitura da peça:

À Flor das Verdes Águas_Jorge Peixinho

29/01/10

Misturando mente e metáforas

Este blog já publicou algumas sessões da TEDGlobal Conference. Escolhi esta por vários motivos:

a) é sobre metáfora e pensamento, um tópico que tem vindo a aparecer frequentemente em classe;

b) é uma excelente apresentação; pouco mais de 9 minutos de pensamentos fascinantes à volta de um tópico muito interessante;

c) o orador, James Geary, usa prezi para a sua sessão: um indicador de que este pequeno programa está a ganhar adeptos com a sua abordagem não-linear de projecção do pensamento. O vídeo mostra uma integração perfeita entre o discurso de Geary e o suporte da apresentação.

Proponho que visualizem o prezi isolado, e depois vejam a sessão completa. O conjunto não deve levar mais de 12 minutos. Não se esqueçam que podem visualizar as legendas no vídeo.






 Palavras do próprio James Geary sobre a arte de apresentar:


"It might be a temptation to just go for big effects. But I think a really good talk is one where you can't really tell where the talking stops and the imagery begins, both are so tightly integrated. The images or slides for some talks can often be mere repetitions of what the person is saying. But Prezi is so smart and so supple that it allows you to really use the imagery as an added dimension, enabling talks to deliver even more information and—just as importantly—entertainment".

Reciclar Prezis

Os leitores já devem estar familiarizados com o software prezi. Vários exemplos já foram exibidos neste blog. As boas notícias são que prezi continua a crescer e oferecer melhor serviço. Uma das novas boas ideias é que prezi permite agora reutilizar apresentações já feitas por outros utentes, alterando os conteúdos. Experimentando com essa ideia, adaptei um prezi existente, traduzindo ao português e testando outras funções. O resultado, que espero seja informativo e animador para todos, é este:

27/01/10

Procurar com arte...

É verdade. Toda a gente usa google, mas é curioso constatar que nem todos sabem alguns truques básicos para encontrar informação da forma mais rápida e eficiente. Deixo aqui um prezi bastante instrutivo. E lembrem-se que estas ideias são aplicaveis ao Google Books (livros) e a Academic Google (artigos académicos).


25/01/10

Monteclair: La mort de Didon

Embora o blog tem andado um pouco abandonado ultimamente, não queria deixar de consignar algumas das referências das últimas apresentações do semestre. Deixo aqui a apresentação em prezi de Teresa Nunes, sobre a belissima cantata francesa de Monteclair, La Mort de Didon. A apresentação contém a descrição das principais características do género, incluindo comentários e exemplos dos variadíssimos tipos de ornamentação característicos da época. O próprio video com a partitura, e a música está acessível a partir da apresentação.
Para além do seu interesse intrínseco, esta apresentação é um bom exemplo de utilização de prezi, do qual podemos todos apreender.

28/12/09

Eles gostavam de ópera mas não sabiam!

Traduzido do site www.esoqueseconocecomolaopera.com

Um día qualquer de mercado, a música começa a soar entre as barracas de frutas e legumes. Fragmentos da Traviata de Verdi, interpretados no meio do Mercado Central de Valencia (Espanha). Os rostos dos clientes, surpreendidos com a magia da arte, nos fazem recuperar a confiança no bom gosto. O gosto pela boa fruta e legumes, o champagne, a música e a vida. Dis-frutem!

17/12/09

Bobby McFerrin fala de música e cultura

Resulta que Bobby McFerrin fala tão bem como canta...Nesta pequena intervenção, McFerrin fala do conceito de música em Africa, onde a arte não é identificada com peças concretas, nem com repertórios, mas sim está integrada na própria vida, de formas difíceis de compreender para um ocidental...
E no entanto, será bom fazermos o esforço de perceber...

Ver vídeo


My friend Yo-Yo Ma, when we first met, we were very, very interested in each other’s music. I was starting to work on conducting, and he was very interested in improvisation. So we had many, many conversations about this. And he knew that he had to do something for his music-making, that had something that would take him to a deeper place in himself. And so after a few years of talking about this, he went to Africa and he went to Botswana, he went to not a town but sort of out in a village somewhere. Lots and lots and lots of music-making and what have you. But in the beginning, there’s two stories that defined and shaped my musical life ever since I had heard them. “Well,” I thought “I have to make music like that.”
The first story is where when he arrived in this village, there was an interpreter who was trying to explain to the villagers that Yo-Yo Ma was going to play a concert at 7:30 at this place somewhere. And they had a hard time comprehending this for two reasons. One, they didn’t understand why they had to wait to hear music. Why did we have to wait to hear him play? And why do we have to leave where we are to go somewhere else to hear it. Because music was so integrated in their life. They had no concept of performance because music was so much a part of their lives, that there was no such thing as it. People were simply getting together and playing and they were celebrating everything. They were celebrating life, birth, harvest, hunting, you know, everything. So this I thought, “Okay I want to be the kind of musician where music is with me whether I’m on stage or not.” And when I’m on stage there’s nothing different except maybe the space. But what I’ve taken on stage with me is the same, it’s not different, it’s just being myself, the same self that I am just when I’m just getting out of bed in the morning, It’s the same musical self that I take with me on stage.
The second story is this: when Yo-Yo wanted to leave, when it was time to go—he’d been there for a couple of weeks, I think—he wanted to take some music with him to remind him about the experience. And the village shaman shared one of the village songs, and Yo Yo took out his manuscript so he could write it down. And the shaman is saying (singing notes) and Yo-Yo said, “Stop, I need to write this down.” So he writes it down. And he says, “Play it again, I want to make sure I got this right.” And the shaman sings (sings notes). And Yo Yo is saying But that’s not the piece you sang before. The shaman laughed and said “The first time I sang it there was a herd of antelope in the distance and a cloud was passing over the sun.” So this is the part that we lost. Every time a piece of music is played, one time there is a herd of antelope, and one time there’s not. And we turn in these cookie-cutter performances. Everything is so laid down and regimented and locked-in and so rehearsed, that they squeeze the life out of it. It no longer has any life in it because no one is open to surprise, no one is open to any spontaneous event that can happen. Everything is just dictated, and this is the way it’s gonna be. I think that’s the part that we’ve lost.

15/12/09

Paulo Gomes: O Jazz por dentro

Convite aberto a todos para ouvir o nosso colega Paulo Gomes na FEUP!

Segundo as palavras do próprio Paulo:

O JAZZ POR DENTRO

15 de Dezembro 2009, às 18.30

Auditório da Faculdade de Engenharia do Porto

Entrada livre

Trata-se de uma espécie de concerto comentado, com a actuação ao vivo de cinco músicos, durante o qual chamo a atenção da plateia para alguns dos aspectos que tornaram esta música um dos géneros artísticos de maior dimensão do sec XX.

O objectivo mais importante, é demonstrar que esta não é uma música elitista e executada apenas para ouvidos conhecedores, mas sim algo de fascinante e muito facilmente apreensível.

Este projecto foi pensado para ser divulgado ao ouvinte comum.

Por isso, através duma linguagem acessível e de exemplos apresentados num ambiente descontraído e informal, o público será surpreendido pela simplicidade de uma música frequentemente considerada complexa.

O quinteto de serviço é composto por:

Paulo Gomes – Piano e comentários

Fátima Serro – Voz

João Pedro Brandão - Saxofone e Flauta

Hugo Carvalhais – Contrabaixo

Leandro Leonet - Bateria